Imprevisto, por Victoria Ferro.

Fecho os olhos numa imensidão grande o suficiente para eu me perder 
Eu que por vezes naveguei mesmo em superfícies planas e até estáveis. 
Não consigo ouví-las, Olavo 
Gritei apavorado numa madrugada dessas 
De dentro do meu barquinho velho e já abandonado 
que naquele fim de tarde revivera 
Partiu um grito forte, abafado e desesperançoso 
Pensei que bastava amar
Continuei suplicando a alguém que eu jamais conhecera 
O fogo tão bravo 
Apenas queima minha mão e me causa dor 
Almejei entendê-lo, vivê-lo, sentí-lo 
Não era paupável, ao menos para mim
Escorregadio, particular, finito
Posto que tamanha estabilidade me fincara ao solo
Definição imprescindível,  para mim, cantou Jorge Vercillo
Significância inesperadamente penetrava a ocasião
Naquele barco parado por tanta calmaria 
Resgatou minha memória indignada 
“Nada mais é o amor que o encontro das águas” 
Ao abrir os olhos a imensidão que outrora fora só minha, seguramente minha 
Agora se juntara a do mar 
Que melancolicamente formava um tapete
Encontro das águas 
Turbulento, inapropriado, forte 
Águas salobras alcançam as do rio e se engrandecem
Ondas crescem, agitar de águas, mudança de corrente 
Ele surgiu no horizonte 
Arrancou rumores, momentos, lembranças 
Doces e dolorosas lembranças de tempo 
Tempo passa lentamente 
Quando se abraça ondas bravas e valentes 
Esvoaça os cabelos emaranhados ao anseio 
Que me acalenta

                                                                                                                                       Victoria Ferro.

Comentários

  1. Victoria, vc tem muito talento, quero te vê sempre por aqui!

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  2. “Imprevisto” foi conhecer esse blog de Eduarda e encontrar cada texto mais lindo que o outro... e agora com essa parceria show! Parabéns, Victoria, lindo texto!

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  3. Me identifiquei muito com suas palavras. parabéns!

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